terça-feira, 4 de outubro de 2016

Pesquisadores defendem parcerias para o desenvolvimento da tecnologia 5G 

Esse foi o caminho encontrado pela União Europeia para avançar na implantação da nova tecnologia. No Brasil, gerente da Sepin diz que a expectativa é que o país tenha participação mais ativa no desenvolvimento do 5G.


O Brasil deve fortalecer ações conjuntas entre governo e setor privado voltadas para o desenvolvimento da tecnologia 5G. A afirmação é do gerente de projetos da Secretaria de Políticas de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Eder Alves. Durante painel na ICT Week, nesta sexta-feira (23), ele ressaltou que o debate no Brasil sobre o 5G começou cedo, o que gera a expectativa de uma participação mais ativa do país no desenvolvimento da tecnologia.
"A diferença entre o 3G e o 4G foi basicamente o aumento da velocidade de conexão. Já o cenário previsto para o uso do 5G é mais complexo", apontou.
Segundo ele, além da alta velocidade da conexão, alguns dos resultados da implantação da nova tecnologia serão o avanço da Internet das Coisas e uma rede altamente confiável, que vai permitir o uso em áreas como veículos autônomos e cirurgias médicas a distância.
A tecnologia 5G foi o tema do último dia da ICT Week, seminário que o MCTIC realiza em parceria com a União Europeia no âmbito do programa Diálogos Setoriais. Na abertura, o chefe de Políticas para o 5G na União Europeia, Philippe Lefebvre, destacou a importância da cooperação entre países para o desenvolvimento da tecnologia, como o firmado entre o Brasil e o bloco europeu neste ano. Ele ressaltou que, além de pesquisa, é importante investir em infraestrutura. Lefebvre citou o Plano de Ação 5G da União Europeia, anunciado na semana passada, que estabelece metas de implantação da tecnologia para 2020 e 2025 no continente.
Durante painel, representantes de instituições de ensino e pesquisa detalharam os projetos que vêm sendo desenvolvidos com a tecnologia 5G. O professor da Universidade de Oulu, na Finlândia, Matti Latva-aho, contou que as pesquisas com a quinta geração das telecomunicações móveis tiveram início em 2010 no país e já estão sendo testadas em quatro grandes cidades finlandesas.
Já o professor da Universidade de Surrey, na Inglaterra, Pei Xino, destacou as parcerias com empresas de telecomunicações que resultaram na criação de um fundo para financiar pesquisas em 5G. A colaboração entre academia e indústria também foi ressaltada pelo diretor do Instituto Madrileño de Estudios Avanzados (IMDEA), Arturo Azcorra, que citou o trabalho desenvolvido pelo 5 Tonic, um laboratório de pesquisas em 5G.
O professor da Universidade de São Paulo (USP), Moacyr Martucci Junior, revelou que os campi da universidade, por onde circulam cerca de 170 mil pessoas, estão sendo usados como ambiente de testes de 5G, Internet das Coisas e cidades inteligentes. "O campus é um laboratório aberto multidisciplinar, que permite testar aplicações e tecnologias em diferentes setores como agricultura, segurança, energia e meio ambiente."
O professor José Marcos Brito, do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), e o gerente do CPqD, Fabrício Figueiredo, relataram as experiências desenvolvidas pelas instituições para melhorar a velocidade de rede, confiabilidade e cobertura remota. Para Figueiredo, além de possibilitar o uso de novas tecnologias, o grande impacto do 5G será o surgimento de novos modelos de negócios em diversos setores da economia.

Por Ascom do MCTIC

Operadoras e fabricantes esperam revolução no uso da internet com a chegada da tecnologia 5G:

Sucessora do 4G vai impulsionar a Internet das Coisas e permitir a conexão de carros, casas e equipamentos industriais. Para especialistas, Brasil deve preparar ambiente para a chegada da tecnologia. "O desafio é o Brasil participar ativamente das discussões e envolver centros de pesquisa e empresas", diz o diretor da Sepin.
 A quinta geração das telecomunicações móveis, o 5G, vai trazer uma revolução na forma de conexão à internet e nos modelos de negócios. Essa é a avaliação de representantes de operadoras e fabricantes que participaram de debate nesta sexta-feira (23) no ICT Week, em Brasília (DF). A tecnologia promete impulsionar a Internet das Coisas, plataforma que permite aplicações para conectar eletrodomésticos, casas, carros e equipamentos industriais, por exemplo.

Testes indicam que o 5G é capaz de suportar a conexão de vários dispositivos ao mesmo tempo, além de apresentar baixíssimo tempo de resposta e economia no gasto de energia, o que aumenta o tempo de vida das baterias. Tudo isso em velocidade bem superior ao atual 4G. Hoje, a padronização da tecnologia depende de discussões nos fóruns internacionais.

"A expectativa é que a parte tecnológica do 5G seja definida em 2018. Depois disso, tem uma série de validações. Algumas empresas querem usar a tecnologia antes, fazer testes-piloto. O desafio é o Brasil participar ativamente das discussões internacionais e envolver nossos centros de pesquisa e empresas", afirma o diretor da Secretaria de Políticas de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, José Gontijo.

Para o vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da Fundação CPqD, Alberto Paradisi, o Brasil deve aproveitar esse tempo para discutir o ambiente para implantação dessa tecnologia. "É um ciclo de renovação que leva tempo, há aspectos tributários, regulatórios e de legislação. A gente sempre imagina que uma tecnologia chega ao fim para a entrada de outra, mas na verdade, ela vai crescendo aos poucos", aponta.

Além da definição tecnológica, é preciso padronizar a faixa de frequência que o 5G vai ocupar. A discussão é feita na União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão que congrega 192 países. O gerente de Espectro, Órbita e Radiodifusão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Agostinho Linhares, explica que o Brasil defende o uso das faixas que não interfiram nos serviços já existentes. "As especificações técnicas na UIT devem ser feitas até o ano de 2020. As faixas que vão ser identificadas para uso serão aquelas em que a convivência com os serviços existentes é possível", diz.